Como ser um líder inspirador e tirar seus sonhos do papel

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Consultor César Souza ensina como realizar sonhos, empreender, desenvolver liderança e ter sucesso profissional e pessoal

Aqui na GENIAL falamos muito sobre sonhar, realizar sonhos, traçar objetivos financeiros e planejar. Mas na rotina do dia a dia, como deixar espaço para os sonhos? Como tirar projetos do papel, ou redirecionar sonhos que não podem mais ser realizados?

Ninguém melhor para responder a essas perguntas do que um especialista em realização de sonhos, empreendedorismo, gestão de pessoas e liderança.

O consultor, autor e palestrante César Souza conversou com a GENIAL sobre os atributos que as pessoas que realizam seus sonhos devem ter, a importância da liderança nesse processo e a importância do foco no cliente para quem quer vencer na vida profissional.

Souza é autor de best-sellers como “Você é do tamanho de seus sonhos”, “Você é o líder da sua vida” e do mais recente “Clientividade”, onde apresenta seu conceito de Clientividade, o foco no cliente que toda empresa deveria ter.

Veja os principais trechos da entrevista:

GENIAL: Quais as características mais marcantes das pessoas que perseguem e realizam seus sonhos, sejam profissionais ou pessoais?

César Souza: Determinação, perseverança, foco, além de capacidade de mobilizar outras pessoas em torno do seu sonho, de realizar parcerias com pessoas capazes de complementá-lo e de identificar os sonhos dos seus clientes ao empreender algo novo.

Coragem e ousadia também são fundamentais, assim como ter paixão pelo projeto.

Outro componente do perfil dos realizadores de sonhos é a capacidade de inovar. Muitos apenas inovam, mas não têm foco, determinação ou perseverança, e por serem solitários, acabam ficando pelo caminho. Seus sonhos não passam de sonhos, nunca se transformam em realidade.

Uma atitude que é matéria-prima para realizar qualquer tipo de sonho é disciplina.

GENIAL: Você fala sobre como as demandas do dia a dia muitas vezes nos fazem desistir dos nossos sonhos, adiá-los indefinidamente ou até mesmo não sonhar. Como nos manter motivados para perseguir nossos sonhos, apesar de tudo isso?

Souza: Sempre digo que a rotina pode virar um mecanismo de defesa para impedir a realização dos sonhos. Muita gente diz: “tenho que pagar as contas no fim do mês” ou “não tenho tempo para sonhar”.

Porém, minha pesquisa demonstrou que os maiores realizadores de sonhos são justamente aqueles que lutaram contra muitas adversidades. Não são as pessoas bem de vida e acomodadas que realizam os grandes sonhos em termos de descobertas, criação artística, mudanças sociais ou que são os grandes inventores ou empreendedores.

A motivação para sonhar está no desejo de mudar de qualidade de vida, de mudar de patamar, de fazer algo que contribua para a comunidade, para o mundo, para atender a uma demanda de negócios.

Mas um sonho não precisa ser nada muito grandioso. Pode ser algo relevante para uma pessoa em determinado momento. Por isso o título do meu livro é “Você é do tamanho dos seus sonhos”. Ou seja, a fita métrica está dentro de cada um.

Sonhar é realizar um projeto. Aliás, um projeto nada mais é do que um sonho com uma data marcada. Quem não luta pelos seus sonhos acaba como coadjuvante dos sonhos dos outros.

É melhor não ficar acomodado e imerso na rotina, pois você pode estar desperdiçando o melhor ativo que distingue o ser humano: a capacidade de imaginar, de sonhar e de lutar pelos seus sonhos. Sonhar é inventar o futuro, e não ficar tentando adivinhá-lo.

César Souza, consultor, palestrante e autor
O consultor e palestrante César Souza, especialista em liderança e gestão de pessoas

GENIAL: Algumas pessoas não têm sonhos, ou têm sonhos que não poderão mais ser realizados. Por exemplo, não adianta uma pessoa de 40 anos sonhar em ser bailarina profissional, porque as limitações físicas não permitem. Como essas pessoas podem “criar” sonhos, em vez de sucumbir às frustrações ou viver sem paixão? É possível mudar ou reformular sonhos? Como fazer isso?

Souza: Claro que é possível mudar ou reformular sonhos. Vou responder de uma forma bem prática: essa pessoa que sonhava em ser bailarina e não conseguiu pela força das circunstâncias da sua vida pode, aos 40 anos, continuar sonhando e se realizar de outras formas.

Por exemplo, montando uma escola de dança, participando de uma ONG em uma comunidade carente que incentive os jovens a serem bailarinos, ser crítica de espetáculos no jornal do bairro sobre o tema, estudar e transformar-se em especialista no assunto, trabalhar em um teatro ou companhia de dança como auxiliar em alguma função e assim por diante.

O importante é não sucumbir às frustrações nem virar aquela pessoa queixosa e amarga com quem ninguém suporta conviver e não convida nem para festa de batizado ou casamento.

Sempre é possível virar o jogo a seu favor. Este é inclusive o tema de outro livro que escrevi em 2012, chamado “Você merece uma segunda chance”, que foi uma continuidade natural ao livro “Você é do tamanho dos seus sonhos”.

GENIAL: Vamos falar um pouco sobre a parte prática: qual o passo a passo para tirar um sonho do papel?

Souza: Qualquer que seja o tipo de sonho – profissional, familiar, comunitário, pessoal, na saúde ou qualidade de vida – sempre recomendo tirar o sonho da cabeça e colocá-lo no papel. Quando a gente coloca um desejo no papel, fica mais fácil torná-lo palpável.

O primeiro passo é fazer um plano de ação, isto é, transformar o sonho em um projeto. E como transformar esse projeto em realidade?

Eis os passos necessários: listar as metas que queremos atingir, listar os obstáculos, buscar os aliados e comprometê-los com o sonho a ser realizado, listar os recursos que serão necessários (tempo, dinheiro, aspectos materiais) e, finalmente, entrar em ação.

Nesta etapa, algumas atitudes são importantes. Você deve usar o tempo de forma disciplinada, evitando ser consumido pela rotina do dia a dia. Selecione suas prioridades, dizendo “não” ao que afasta você do seu projeto.

É interessante ter um mentor, apoiador, “padrinho” ou “madrinha” para o seu sonho e desenvolver parcerias complementares que ajudem você a implantar o projeto e a focar no essencial, economizando tempo, energia e recursos.

Defina também metas intermediárias, marcos importantes a serem atingidos para se chegar ao ponto desejado.

E tome muito cuidado para evitar fatores que são destruidores de sonhos, como vaidade, arrogância, acomodação, repetição do que deu certo no passado e de erros com os quais você não aprendeu.

Vi uma exposição de arte em Nova Iorque sobre obras inacabadas [“Unfinished: Thoughts Left Visible”, do Met Breuer Museum]. Recomendo a qualquer empreendedor ou pessoa que queira realizar um sonho pessoal, familiar ou profissional que entre na internet e acesse essa exposição.

Reflita sobre como seriam bem mais belas se os artistas tivessem concluído aquelas obras expostas. Pense no seu sonho como uma obra que precisa ser acabada.

Mas isso não significa teimosia. Se você sentir que aquele sonho não poderá ser realizado, procure outro sonho mais factível no curto prazo. Realize-o. Procure um novo. Realize-o também. Mas não desista nunca.

GENIAL: Qual o papel da liderança na realização de sonhos, sejam eles profissionais ou pessoais?

Souza: Liderança é fundamental, pois um líder pode ser um estimulador ou um castrador de sonhos. Vemos isso na família, na figura dos pais, e na escola, com o professor que estimula ou reprime.

E vemos isso nas empresas, quando o jovem estagiário entra cheio de sonhos e o chefe do setor às vezes até estimula, mas na maioria das vezes inibe o talento, a inovação e o sonho dos jovens, enquadrando-os em normas que esterilizam a capacidade de sonhar das pessoas.

GENIAL: Quais as características de um bom líder no mundo atual?

Souza: Um líder eficaz tem cinco forças. São elas que distinguem os líderes eficazes dos “chefes”.

A primeira é a capacidade de construir uma causa, um significado com sua equipe: define um rumo, uma direção com a qual todos se alinham e se comprometem.

A segunda é que ele forma outros líderes, não apenas seguidores. Em terceiro lugar, ele lidera 360 graus. Ou seja, não apenas de cima para baixo – sua equipe de subordinados –, mas também seus pares e seu próprio líder.

Mais ainda, ele tem a capacidade de liderar fora de sua equipe, isto é, membros de outras equipes, membros de outras empresas em consórcios, líderes comunitários e assim por diante.

A quarta força é a capacidade de criar resultados surpreendentes, não apenas batendo metas, mas criando valor para acionistas, clientes, pessoas e comunidade.

Finalmente, ele é inspirador pelos seus valores, não apenas pelo carisma ou pela hierarquia.

GENIAL: Falando um pouco de quem tem o sonho de empreender, quais são os princípios que essa pessoa deve sempre manter em mente para ter uma empresa de sucesso?

Souza: O princípio básico é investir naquilo que é sua vocação, sua paixão. Não adianta entrar em um negócio porque está na moda.

Se o empreendedor não tiver paixão por um negócio, melhor não entrar. Empreendedorismo não é para quem é apenas curioso ou para improvisação.

Uma vez definido o negócio, defina com clareza o Posicionamento da empresa naquele segmento.

O segundo princípio é definir quais são os clientes que você pretende servir. Quais as “dores” desses clientes? Quais as oportunidades? Que tipo de benefício meu empreendimento vai oferecer aos clientes para diminuir aquelas “dores”?

O terceiro princípio é escolher as pessoas certas para fazer parte da sua equipe. Quem escolhe pessoas adequadas passa a lidar com oportunidades. Já quem escolhe as pessoas erradas passa a vida resolvendo problemas.

Esses são os princípios fundamentais. Depois vem a escolha dos parceiros e a escolha de processos e sistemas mínimos para controlar o negócio.

Por último, mas não menos importante, vem a autogestão do empreendedor. Você precisa ser um bom líder de si mesmo, não apenas dos outros ou do negócio.

O que significa isso? Você deve ter coerência entre o que você diz e o que você faz, ser um exemplo para os outros, saber gerir seu tempo e suas prioridades e ter equilíbrio nas diversas dimensões da vida.

Não adianta construir um negócio de sucesso e fracassar na família, perder a saúde ou não fazer nada pela comunidade onde você opera.

Uma vez ouvi de um empreendedor uma frase emblemática: “Estou cansado de ser uma estrela brilhante no meu negócio e uma lua minguante em casa”.

GENIAL: Em seu novo livro você propõe olhar as relações comerciais a partir dos olhos do cliente. Isso significa uma mudança de paradigma para as empresas?

Souza: Sim. Eu criei e registrei a palavra Clientividade® porque não encontrava uma palavra que representasse a razão de ser de qualquer negócio: o cliente.

Temos as palavras “competitividade” e “produtividade”. Uma tem origem no competidor, o concorrente. A outra tem raízes no produto. E cliente, qual a palavra para se referir a esse personagem?

Eu não criei apenas a palavra Clientividade®, e sim uma metodologia para mudarmos o paradigma já meio desbotado do marketing tradicional.

Precisamos trazer o cliente de volta para o local de onde ele nunca poderia ter sido tirado: o centro das decisões da empresa e o modelo mental de cada profissional. E isso vale até mesmo para os médicos, professores, advogados, cabeleireiros, taxistas, garçons…

As pessoas ficam mais focadas no produto, nos sistemas, processos, equipamentos e na estrutura da empresa do que no cliente.

Por isso escrevi “Clientividade: como oferecer o que o seu cliente quer”. É um grito de guerra, um verdadeiro antídoto contra a crise que estamos vivendo, quando precisamos estar mais perto do que nunca dos nossos clientes, qualquer que seja o ramo de atividade da pessoa ou da empresa.

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